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Mensagens

A mostrar mensagens de novembro, 2007

There are two ways to live your life

Ser

Mas a verdade é que ninguém se conforma, do mesmo jeito que não se arrepende, nem muda, nem acredita, nem perdoa, nem nada. A gente só se acostuma, e a gente às vezes se esquece, pelo menos um pouco. Rachel Queiroz

Palavras & Sentimento

As palavras não exprimem muito bem os pensamentos. Estes tornam-se sempre pouco diferentes logo após serem exprimidos, um pouco deformados, um pouco idiotas. E, no entanto, também me agrada e parece certo que pareça a um homem idiotice o que a outro parece ter valor e sabedoria. Hermam Hesse

É uma ordem

Segundo a minha natureza, eu só posso cumprir uma ordem que ninguém me tenha dado. Nesta contradição, é que eu posso viver. Mas qualquer uma, pois vivendo morre-se e morrendo vive-se. Franz Kafka

Trabalho

Não basta preparar o homem para do domínio de uma especialidade qualquer. Passará a ser então uma espécie de máquina utilizável, mas não uma personalidade perfeita. O que importa é que venha ter um sentido atento para o que for digno de esforço, e que for belo e moralmente bom. De contrário, virá a parecer-se mais com um cão amestrado do que com um ser harmonicamente desenvolvido, pois só tem os conhecimentos da sua especialização. Deve aprender a compreender os motivos dos homens, as suas ilusões e as suas paixões, para tomar uma atitude perante cada um dos seus semelhantes e perante a comunidade. Albert Einstein O homem não foi feito para trabalhar, mas para criar. Agostinho da Silva

A fechar...

Quantos metros quadrados tem o meu mundo? Por vezes, dezasseis. O quarto. Por vezes noventa. A casa. Por vezes mais, o teatro, o jardim, a cidade, por vezes menos, escondido dentro de mim. Contudo, nunca o meu mundo tem tantos metros quadrados como o mundo, nunca o meu mundo aboliu o espaço em absoluto. E nesse modo nadamos entre os nossos metros quadrados movediços, nascidos crescemos, crescidos trabalhamos, trabalhando estamos a morrer, morrendo lembramo-nos, contudo os encontros, as pessoas, Deus, os comboios, as palavras, não temos outro tema como a arte não o tem, e todos os livros do mundo, de tantos metros quadrados, são um único livro. Jorge Listopad
Ninguém quer fazer tantas alterações como as crianças. Kafka

Mude

Mas comece devagar, comece na sua velocidade. Sente-se diferente, em outra cadeira, no outro lado da mesa. Mais tarde, mude de mesa. Quando sair, ande pelo outro lado da rua, depois mude de caminho, ande por outras ruas, mais devagar, observando os lugares por onde passa. Tome outros ônibus, se for o caso. Mude por uns tempos o estilo das roupas, dê os seus sapatos velhos, procure andar descalço por uns dias. Tire uma tarde livre para passear no parque ou na praia. Saia sozinho para ouvir o canto dos pássaros. Veja o mundo de outras perspectivas. Abra gavetas e portas com a mão esquerda. Durma no outro lado da cama. Depois, de ponta-cabeça. Assista a outros programas de tv, compre outros jornais, leia outros livros, viva outros romances. Troque de carro. Não faça do hábito um estilo de vida. - Ame a novidade. Corrija a postura, faça ginástica, durma mais tarde, ou acorde mais cedo. Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua. Escolha novas comidas, temperos, ...

Uma pequenina luz

Uma pequenina luz bruxuleante não na distância brilhando no extremo da estrada aqui no meio de nós e a multidão em volta une toute petite lumière just a little light una picolla... em todas as línguas do mundo uma pequena luz bruxuleante brilhando incerta mas brilhando aqui no meio de nós entre o bafo quente da multidão a ventania dos cerros e a brisa dos mares e o sopro azedo dos que a não vêem só a adivinham e raivosamente assopram. Uma pequenina luz que vacila exacta que bruxuleia firme que não ilumina apenas brilha. Chamaram-lhe voz ouviram-na e é muda. Muda como a exactidão como a firmeza como a justiça. Brilhando indefectível. Silenciosa não crepita não consome não custa dinheiro. Não é ela que custa dinheiro. Não aquece também os que de frio se juntam. Não ilumina também os rostos que se curvam. Apenas brilha bruxuleia ondeia indefectível próxima dourada. Tudo é incerto ou falso ou violento: brilha. Tudo é terror vaidade ...

Livros...

O livro que te quero ler é aquele que traz a verdade escondida entre a confusão das palavras. Estas por sua vez nada dizem. Traem o silêncio ou esvaziam-no de conteúdo. Adaptar-me-ia muito mal a um mundo sem livros; mas a realidade não está lá, porque eles a não contêm inteira . Marguerite Yourcenar O livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive. Padre António Vieira " O livro é um legado precioso que o seu autor faz à humanidade. Addison Não há um livro tão mau que não tenha alguma coisa boa. Plínio Não há livros morais nem livros imorais. Há apenas livros bem escritos ou mal escritos. Oscar Wilde

Nosso cardápio diário

Nosso cardápio diário inclui carnes assadas e angústias bem passadas. Inclui sangrentos nacos cobertos de molhos pardos que sabem a desgosto. Inclui mil hipocrisias devidamente empanadas e servidas à francesa de frutas esquartejadas. Inclui entre as iguarias amizades congeladas sonhos em banho- maria deleites de amor requentado em rançosos azeites. Ódios em pó de pimenta e as trémulas gelatinas de dúvidas coloridas. Inclui o tédio guarnecido De exóticos temperos. Inclui o medo camuflado em camadas de batatas. Inclui a morte servida Sem menor escrúpulo. Astrid Cabral

Quase...

"A inda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas ideias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no Outono. Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até para ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio-termo...

Morre lentamente quem

Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajectos, quem não muda de marca, não arrisca vestir uma cor nova e não fala com quem não conhece. Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o escuro ao invés do claro, os pontos nos ís a um redemoinho de emoções, exactamente o que resgata o brilho nos olhos, o sorriso nos lábios e coração ao tropeços. Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto, para ir atrás de um sonho. Morre lentamente quem não se permite, pelo menos uma vez na vida, não ouvir os conselhos dos sensatos. Morre lentamente quem não viaja, não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo. Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da sua má sorte, ou da chuva incessante. Morre lentamente quem destrói seu amor próprio, quem não se deixa ajudar. Morre lentamente quem abandona um projecto antes de iniciá-lo, nunca pergunta so...