Era suposto ser uma conversa a dois, mas transformou-se num monólogo à volta de uma garrafa de Porto Tawny, numa noite de São João, algures no Vale do Douro. A companhia está ali — presente e, ao mesmo tempo, ausente. Os copos cheios dão cor e vida a uma conversa sem tema, onde tudo gravita em torno da vida: das vidas de cada um, do passado e do presente que se deseja futuro. A noite cai. Caiu. Já escureceu. Do outro lado do rio brilham as luzes do casario. Pouco mais se vê. A chuva que caiu trouxe consigo o perfume da terra molhada — um cheiro de que ele tanto sentia falta. Os sentidos despertam: o aroma intenso da terra lavada, o paladar ainda sóbrio, a audição perdida na música de fundo que embala o momento com ternura e intimidade. Falta o toque — aquele toque delicado e enérgico de dois corpos unidos por uma força cósmica. Mas ele é possível: basta fechar os olhos, e o coração faz sentir a presença de ambos, em qualquer lugar. Bebamos mais um copo. Deixemos o passado onde está: ad...
textos coloridos
textos e imagens que se cruzaram no meu caminho